Quando navegamos pelo facebook e internet num geral, nos deparamos com muitas postagens sobre:

- Garantir o direito de todos;
- Expor as injustiças que acontecem com várias raças, nacionalidades;
- E assuntos relacionados....

São muitos compartilhamentos.

Alguns nos mostram provas de superação, de persistência e de conquistas.

O vídeo que assisti ( assista aqui novamente) do pai ensinando libras ao filho (Guerrilha vídeos) me fez pensar sobre esse assunto.

Apesar de já ter assistido a muitos vídeos sobre língua de sinais e ouvido falar muito sobre o assunto, nunca tinha parado pra analisar isso na prática.

Na verdade, pensando nesses anos como pedagoga, não me lembro de ver crianças com Deficiência auditiva nos CEIs que conheci.

Na sua escola tem criança com deficiência auditiva?

Diretora, no cadastro de inscrições existem muitas crianças com essa deficiência?

Essa resposta, eu mesma não sei dizer uma estatística e ainda não encontrei dados de CEIs aqui na internet.....

Já recebi algumas mães que não se comunicavam verbalmente (não sei se deficientes auditivas pois nem sempre uma coisa está ligada com a outra) que foram fazer inscrição dos filhos. Elas geralmente iam acompanhadas de outra pessoa pois infelizmente ficava difícil de entende-las.

Naquele momento eu pensava:
- "Por que não sei LIBRAS?"

Mas acredito que como muitas de vocês a correria me consumia e eu acabava não dando continuidade a essa vontade de aprender libras.

Outra situação interessante que me aconteceu, foi quando precisei ir ao Poupa Tempo. Tinha um rapaz trabalhando lá que estava conversando em libras com um visitante. Como aquele visitante deve ter ficado feliz em poder sair e resolver o que precisava sem que houvesse alguém com ele para "traduzir".

Como é importante a comunicação, não é mesmo?

Como é importante conseguir fazer com que os outros nos entendam, seja verbalmente, gesticulando, ou de outras maneiras.

Me imaginando no lugar daquele cidadão: Se eu fosse a única pessoa que falasse verbalmente numa terra onde todas as outras só se comunicassem por língua de sinais e não entendessem a linguagem oral, como eu me sentiria? E como eu ficaria feliz em encontrar alguém que falasse como eu, que me compreendesse!

Assim como qualquer outro tipo de deficiência, as pessoas querem se sentir aceitas na sociedade e fazer parte dela.

Muitas vezes também temos nossos desafios de como ajudar essas pessoas da melhor forma possível.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA NO BRASIL


Bem, fui atrás de algumas pesquisas....

No site SURDO.COM.BR, existe uma pesquisa do IBGE no senso 2000, onde mostra que 24,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, sendo 14,5% da população total. Dentre eles, 4,6 milhões possuem deficiência auditiva e 1,1 milhão são surdas, totalizando aproximadamente 5,7 milhões de pessoas.

Uau, é muita gente, não é mesmo?

Mas o que está sendo feito para ajudar essas pessoas?

Se formos fazer uma pesquisa na internet já percebemos muitos sites, como esse citado acima, que procuram auxiliar os surdos.

Algumas faculdades já tem em sua grade o ensino de LIBRAS (na época que fiz, não tinha. snif!)

Mas as vezes, até os professores que aprendem na faculdade essa linguagem, não sabem como ou quando utilizar na prática.

Então, como eu e você podemos colocar em pratica a inclusão, pelo menos nesse aspecto?

A IDEIA


Que tal, incluir na grade do CEI um momento para ensinar LIBRAS para os bebês?

- "Ai ai Luciana, mas eu não tenho crianças com essa deficiência,e eu não sei LIBRAS. Não vai dar certo!"
- "Opa, já quer arrumar mais trabalho pra gente? Já temos uma rotina longa e extensa para cumprir!"
(desculpem amigas, mas já visualizei muitas dando essas respostas. Espero que você não seja uma hein?!) RS!

Bem, com certeza o novo nos assusta. E isso é normal. Mas me dá uma chance e se dê uma chance.

Pensa assim: 
- "Eu como professora, quero plantar essa sementinha no meu pequeno que está aqui comigo. Pode ser que ele cresça e se interesse em aprender LIBRAS para se comunicar com conhecidos que não falam verbalmente."

Imagine várias crianças que já crescem conhecendo um pouco dessa linguagem. A inclusão não estaria sendo espalhada por muito mais pessoas?

Calma, quero pensar num planejamento junto com você.

PLANEJANDO


Vamos lá.

Por onde começar.

Vamos pensar que você seja Coordenadora Pedagógica. As professoras tem um semanário a ser seguido não é?

Inclua nele, pelo menos uma vez por semana as LIBRAS. Pode ser no momento de ensinar repertório de palavras para os bebês.

Sabe aquele momento que a professora mostra a figura de um animal e fala para as crianças ELEFANTE. Então, junto com isso ela já inclui o gesto em LIBRAS do elefante.

Em outros momentos podem utilizados vídeos em LIBRAS para crianças.

Se os bebês estão adquirindo novas linguagens, não será forçado, e sim muito natural. Um pouco toda semana.

Começa no Berçário I, se estende ao II, depois aos Mini Grupos, e quem sabe na EMEI também... Que máximo! Já estou visualizando que maravilhoso....

ENFRENTANDO OS DESAFIOS


Mas ai vem outra duvida.

- "Luciana, nem eu e nem uma professora aqui no CEI sabe LIBRAS, como faremos isso?"

Claro que vocês não vão começar sendo detentoras no assunto.

Como falei, podem começar por palavras simples, através de figuras.
Tem vários vídeos na internet que ensinam. Não precisa sair de casa e gastar dinheiro fazendo um curso. (O que é claro, também seria muito válido.)

No portal do surdo já tem as primeiras dicas. (veja aqui)

O You tube está cheio de vídeos inspiradores.

Aqui vão alguns para te dar aquele gás....




Recomendo que primeiro você amiga coordenadora, assista a alguns e se inspire. Prepare a primeira parada pedagógica do ano especialmente voltada para esse assunto com muitas brincadeiras e vídeos para sua equipe. Isso ajudará a motiva-las também.

Lance a ideia e coloque em prática pelo menos por um ano e faça uma avaliação no final do ano.

O estudo coletivo dá uma motivação a mais. Use momentos de estudo com o grupo para aprenderem gestos novos. Façam trocas de experiências durante o ano. Estudem matérias sobre o assunto (Portal MEC - pdf sobre surdez. Saberes e práticas da inclusão na educação infantil).

E se você for uma professora que se sentiu tocada pelas ideias, mas suas colegas ou sua coordenadora, nem diretora se sentiram motivadas?

Que tal se você conversasse com ela (coordenadora ou diretora) dizendo que gostaria de fazer um projeto experimental com suas crianças esse ano que se segue?

Lembre-se que cada uma de nós pode fazer uma pequena contribuição.

Eu estou aqui sugerindo uma ideia. É o inicio de minha contribuição.

Você que esta diretamente com os pequeninos, também já pode começar a fazer a sua parte. Quem sabe você não motiva todas as outras colegas?

Claro que tudo isso será um inicio. Muitas dificuldades surgirão no começo. Muitas adaptações precisarão ser feitas.


Mas é assim que se começa: dando o primeiro passo.

Imagina se depois essa prática fica permanentemente no curriculo do CEI. Que diferencial interessante não acha?


Não existem muitas escolinhas que tem em seu currículo o ensino do inglês? E olha que tenho colegas que dizem que precisam passar para as crianças essa pequena noção do idioma, sem mesmo terem feito curso ou terem fluência. Procuram um vídeo aqui outro ali e acaba dando certo!

Porque não LIBRAS?


Vamos fazer a nossa parte?

Lu Fernandes Pedagoga

Final de ano, e todas as escolas estão preocupadas com as atividades de encerramento.

Dentre muitas coisas, uma que demanda um longo tempo é a FORMATURA das crianças.
Quando olhamos a internet, encontramos muitos e muitos pedidos de dicas de como organizar toda uma cerimonia. E também encontramos diversos vídeos com o título FORMATURA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Eu também já fiz muitas formaturas de meus pequenos alunos e me orgulhava toda por ver todas aquelas produções de capelos e canudos (que aprendi fazer), e toda aquela cerimonia, mesmo percebendo que muitas vezes as crianças (tadinhas) ficam impacientes com todo aquele ritual.

Só depois de muito tempo, comecei a me perguntar: POR QUÊ?
Ainda hoje tenho muitos questionamentos dentro da Educação Infantil e que aos poucos com muitos estudos e pesquisas vou conseguindo achar respostas. 


Momento de reflexão


Um belo dia, me deparei com uma matéria da revista AVISA LÁ que fez o seguinte questionamento:

FORMATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL?

Bem, quem me conhece sabe que amo essa revista, e o Instituto Avisa lá. Fiz muitos cursos e acredito no olhar para o mundo infantil que eles trazem: Para mim é enxergar as crianças com olhar de criança,  e não como mini adultos para o qual devem ser passadas todas as tradições escolares que aprendemos desde NOSSA época de infância.

Mas voltando ao questionamento......

Quando li essa matéria me senti num momento EURECA porque me fez refletir sobre os rituais adultos que queremos que as crianças repitam.
E por que queremos que eles repitam? 
Por que virou tradição assim como muitas coisas que ainda fazemos na Educação Infantil. 

Algumas atividades são passadas para as crianças de geração em geração, acreditando que se elas são utilizadas até hoje, é porque TEM QUE SER ASSIM.

Mas será que tem que ser assim mesmo? Para quem esses rituais serão significativos? Para os pais que querem ver seus filhos com beca de formatura de adulto? Para as professoras que apesar de muito amor e carinho aos seus pequenos, passam semanas enlouquecidas com ensaios, e finalmente conseguem concretizar sua obrigação naquele momento da formatura?

Vamos pensar: 
Para quem são significativos? 
E para quem DEVEM ser?

Quem é nosso público? Não são as crianças? Então, não teria que ser significativo para elas?

Nesse momento, muitas professoras já estarão dizendo:

Mas Luciana, é significativo sim para as crianças. Elas ficam tão felizes de vestir aquela beca, de cantar para os pais que estão lá todos cheios de orgulho, e de participar de uma festa tão bonita, cheia de comes e bebes e musicas.... Tiram fotos com os pais e ficam com aquela recordação fotográfica por muitos e muitos anos.

Eu sei minhas amigas.  As crianças gostam de se divertir e também ficam empolgadas em se apresentar para os pais, avós, e outros parentes e amigos. 

O ponto que quero chegar aqui é: Por que tem que ser com todo ritual de formatura de adultos?
Onde está escrito ou quem inventou que a despedida das crianças da educação infantil deve ser uma cópia da tradicional formatura dos adultos?
Porque nós aceitamos isso até hoje e não nos questionamos sobre essas tradições que levamos para a educação infantil?




A formatura é um momento especial e importante sim, mas também é muito maçante (pelo menos eu me lembro da minha dessa forma). Fico imaginando para as criancinhas que chegam a ficar ali sentadas por horas....

Das vezes que fiz formaturas com meus pequenos (e não foram poucas) começa tudo muito bem, mas daqui a pouco começa um bla bla bla enorme dos pais impacientes pra acabar....
As crianças começam a se retorcer nas cadeiras, querem ir ao banheiro, beber água, conversar com os coleguinhas... daqui a pouco já tem criança chorando. As professoras designadas para ficar com as crianças e organizar para que elas subam ao palco no momento certo começam a ter que se virar em mil para acalmar os pequeninos e não permitir que aquilo se torne um "Fuzuê" de crianças chorando e loucas para ficar com os pais..... fala a verdade amiga, não é assim?

Me pergunto: Será que essa formatura não poderia ser mais leve?

Mas antes vamos pesquisar. Você sabe o que significa formatura?
Já pesquisou na internet sobre esse assunto?

Sabemos que a formatura significa um ritual de passagem,certo?

Mas vamos ver mais alguns detalhes.

Significados das tradições de FORMATURA 


Segundo o Blog Phormar, a Colação de Grau é sempre um momento muito emocionante, esperado pelo formando e pela família. É quando o aluno recebe o certificado ou diploma de conclusão de curso. A caminhada até a colação não é fácil, o que faz a ocasião ser ainda mais especial, com aquela sensação de dever cumprido.
Como a colação é homologada pela faculdade, existe uma cerimônia a ser cumprido. E nela, a vestimenta a ser usada pelos formandos é beca, um manto que cobre todo o corpo. Além disso, usa-se uma faixa abdominal, que representa a cor do curso do formando (para cursos de humanas e exatas, a faixa é azul; saúde é verde; direito é vermelho). Também é usado o capelo e o canudo.

Mas qual a origem desta vestimenta?
A beca surgiu dos modelos adotados na magistratura francesa. Nela, todos os magistrados têm, por tradição, os seus modelos de beca, tanto para Solenidades ou Júri como para Sessões ou Audiências. No ambiente acadêmico, ela foi adotada pelas universidades europeias a partir do século XIII. Conhecida também como Traje Talar, vestes que vão até o calcanhar, a beca é usada por professores, reitores, diplomados e advogados.

A matéria do Mundo Estranho diz: Por que usamos capelo em cerimônias de formatura? Para simbolizar o rito de passagem da formatura, quando os alunos tornam-se oficialmente profissionais (o sublinhado é meu). O capelo é um dos símbolos dessa mudança, por isso é utilizado em cores diferentes por quem vai receber o grau e por quem vai validar o título à turma, papel normalmente exercido pelo reitor.
Tradicionalmente, os alunos vestem capelos pretos, enquanto o bacharel utiliza um branco. Depois da colação, os alunos jogam o chapéu preto ao alto, como um sinal de que estão deixando para trás o status de estudantes. O chapéu é uma representação usada há séculos como símbolo de competência, em uma analogia à coroa real. Desse modo, também está presente em outras cerimônias de reconhecimento de poder.
No ritual de nomeação de novos cardeais, por exemplo, eles recebem, ajoelhados, o capelo de cor púrpura do papa. O acessório foi adaptado até mesmo para as formaturas de 1º e 2º graus. Embora nesse caso os alunos ainda continuem estudantes, eles mudam de fase!

A Revista Avisa lá nº 39 destaca: Becas, diplomas, o que simbolizam? Ora, as becas são usadas pelos funcionários judiciais, catedráticos e, quando muito, por formandos de grau superior. Atualmente apenas alguns cursos tradicionais fazem uso da beca. O diploma atesta uma habilitação, confere um grau. Os diplomas estão associados à outorga de cargos e privilégios nas sociedades aristocráticas. São estas as marcas que queremos deixar para as crianças de 3 ou 5 anos!?

Porque então fazemos formaturas para crianças tão pequenas?

Realmente é um ritual tradicional,  voltado principalmente para os adultos. Tem um significado real para o momento do formando de Ensino médio ou faculdade apesar de achar que nunca devemos deixar de ser estudantes, como nos mostra um trecho acima.

Mas e para as crianças?

Como podemos fazer um ritual de passagem (já que sairão da educação infantil, CEIs e EMEIs) e vão para a escola?

Penso comigo algumas sugestões que podem agradar professores, pais e principalmente e mais importante de tudo, nossas pequenas crianças, que são, além de tantas outras coisas, a representação de nosso trabalho  como professores e um pouquinho do que tentamos passara elas todo tempo que estivemos com elas.

Festa de despedida


Acredito que muitas escolas querem fazer uma despedida para seus pequenos.
Mas como substituir esses itens tão tradicionais da formatura, por outros mais significativos?

Aproveite os projetos


Você fez um lindo projeto com suas crianças. Passou o ano inteiro construindo ideias e materiais com eles. Por que não aproveitar algo que já está no cotidiano deles?
Se vocês fizeram um projeto de poesias, em algum momento dele as crianças brincaram de recitá-los. Por que não substituir as frases prontas encontradas na internet por essas poesias, talvez de poetas já conhecidos, talvez criadas com ou pelas crianças?

Se o projeto envolveu expressão corporal, porque não apresenta-la? As crianças vivenciaram isso o ano inteiro.... Está no contexto do momento deles.

Se o projeto envolveu músicas, por que não apresentar uma dessas músicas? Não precisa para todo o trabalho de um ano inteiro para procurar MUSICAS DE FORMATURA  e fazer as crianças decorarem para a apresentação.  

E que tal organizar momentos importantes do período que as crianças passaram no CEI ou EMEI e apresentar um vídeo para os pais? As crianças podem assistir na companhia dos pais.

Outros itens


A lembrancinha não precisa ser aquela comprada já com várias páginas e prontas. Um livro do projeto ou dos trabalhos realizados durante o ano do filho (incluindo fotos deles nos momentos no CEI ou EMEI), vai ser muito mais significativo, afinal é a produção da criança.

E se substituirmos o diploma por um desenho de produção da própria criança? Ele pode ser emoldurado pelas professoras. A escola pode optar por colocar uma frase para as crianças e para os pais que simbolize esse período.

Faça um momento de festa onde os pais brincam e dançam com seus filhos.

Viram só.....
Idéias não faltam!

Um outro detalhe....


Já vivi situações onde os pais querem ver seus filhos numa roupa de formatura. É natural pois eles também foram acostumados de que "é normal em toda escola, inclusive educação infantil".
Mas podemos ter uma conversa com eles explicando a nova proposta. 
Podem também ser feitos combinados: Se fizerem questão, as crianças podem ir com uma cor de roupa escolhida coletivamente, porém, o modelo fica a cargo deles escolherem. Não fica feio não. Já fiz isso.
Também se fizerem muita questão, providenciem 1 beca para que, para aqueles pais que quiserem, podem vestir na criança e fazer a fotografia ali mesmo, na hora. Pode ser com a professora também. 
A escola pode providenciar uma foto bem bonita da professora com sua turminha de uma forma bem divertida, para entregar aos pais. 
É só pensar em algumas alternativas para esses detalhes que surgem no meio do caminho.

Enfim.....

Vamos deixar esse momento menos sério, menos formal....

Vamos deixá-lo mais caloroso, mais divertido, e será até mais significativo pois será diferente do que oferece a maioria das escolas.

As crianças terão a oportunidade de passar por esse ritual formal quando estiverem maiores.

Bem minhas queridas colegas professoras, como costumo dizer, não sou dona da verdade (nenhum ser humano é!). 

Essa é minha opinião baseada em minhas vivências que já passam de 15 anos.

Muito, em vista de algumas colegas que estão só começando.....
Pouco, para colegas que já estão na área muito mais tempo que isso.
Mas também gostaria de saber a opinião de vocês e o porque.....

Abraços......

Lu Fernandes Pedagoga




Veja se essa cena é familiar


Professora – "Mãezinha, tivemos que chamá-la novamente pois seu filho não obedece e está batendo em todos os coleguinhas. As outras mães já estão reclamando."

Mãe – "Professora, meu filho está me dando muito trabalho... Já não sei mais o que fazer..."


Ui ui ui.... Perdi as contas de quantas vezes vi essa cena.


Tenho certeza que praticamente todos os professores (quem não passou com certeza vai passar) já passaram por essa situação.

E realmente ela não é fácil para nenhum dos lados: nem para os pais, nem para os professores.

De um lado a mãe precisa trabalhar muito em casa ou no serviço e às vezes não consegue tempo e energia para dar a atenção necessária que a criança precisa.

Por outro lado a professora na escola não sabe mais o que fazer pois a criança não obedece de jeito nenhum e isso já esta causando problemas até com outros pais.

E ainda existem outras situações. 

Infelizmente algumas professoras tentam conversar com seus superiores (coordenador, diretor) para que juntos tentem resolver, mas ouvem destes que deveriam ser seu apoio, palavras como: "Não. Não vamos passar reclamações para os pais. Tentem resolver internamente." (Realmente minhas colegas, isso acontece, acredite!)

Por, favor, não estou dizendo aqui que qualquer AI AI AI de uma criança, deva ser motivo para chamar os pais. Não é isso!

Também acontece o fato de que algumas professoras ainda não aprenderam a cuidar de um grupo, e acham que qualquer coisa é motivo para chamar os pais.


Mais um fato: existem as tentativas da escola em tentar conversar com os pais e eles não darem importância, achando que os professores estão exagerando e nem procuram saber no que se trata.

Mas a questão é....

A escola deve estar junto com os pais para oferecer o melhor ensino e educação para as crianças, certo?

Hei! Não quero dizer aqui que seja obrigação da escola educar, mas sim que pais e professores podem e devem trocar experiências para ajudar a formar cidadãos responsáveis.

Que tal tentar resolver essa questão juntos?
Já parou pra pensar nisso? Não?

Nós que trabalhamos com a educação infantil, sabemos que muitos pais de primeira viagem (alguns de segunda ou de terceira...) não tem uma referência de como educar os filhos. 

A escola acaba ajudando muito quando ambos trabalham juntos.

E é sobre isso que falaremos agora.

Escola - Tente descobrir o motivo


Primeiro observe a criança por um tempo e anote quais são as reações da criança.

* Quantos anos ela tem? (isso faz muita diferença para entender em que fase ela se encontra e se as reações estão ligadas a idade). 

* Em quais momentos ela bate ou faz escândalos? faz birras? 

* Como reage quando é contrariada pelo adulto? 

Enfim... anote todas as informações possíveis. Assim você terá uma base para reflexão.

Dica para as professoras e coordenadoras ao preparar um pequeno relatório da criança: Use palavras INTELIGENTES. A intenção não é ofender a criança e nem os pais.

Esse link do blog atividades educaçao infantil (clique aqui) traz sugestões muito práticas de como usar as palavras corretas.


Marque a reunião com os pais



Ligue para os pais e diga que quer conversar um pouco sobre seu filho. Não condene, nem os critique. É muito ruim ir para uma reunião já pensando: "Ai meu Deus, vão reclamar do meu filho de novo?"

Eles devem sentir acolhidos e que você quer ajudar, e não despejar problemas em cima deles.

Durante a reunião seja amigável e procure explicar as atitudes da criança que estão preocupando a professora, e tente descobrir com tato como é o comportamento da criança em casa. 

* Com quem ela fica quando não está na escola? 

* O que costuma fazer? 

* Todas as suas vontades são feitas? 

* Os pais se sentem culpados de não poderem ficar muito tempo com o filho e o recompensam com itens materiais? 

* Os pais falam NÃO de vez em quando para seus filhos? 

* A criança fica mais com os avós? (muitas vezes os avós não conseguem mais ter tanta energia para cuidar de uma criança por conta dos problemas da idade da avançada; ou também pode ser que os avós amam mimar os netos. Alguns não conseguem dizer NÃO aos netinhos, rs).

Tudo isso vai ajudar a achar onde pode estar o ponto chave para ajudar a criança.

Abaixo mais sugestões de matérias que tanto os pais como os professores podem ler e que vão ajudar a entender o comportamento dos pequeninos:

Cantinho da disciplina - duas opiniões importantes para você refletir
Agora, um lembrete aos pais:

Meus queridos, estejam abertos a ouvir e entender as professoras. Elas só tem a intenção de ajudar. Mas se você ficar só na defensiva e achar que tudo isso é perseguição e que a criança não faz nada daquilo que a professora está falando ( e muitos pais reagem assim) a escola não conseguirá ajudar.
Lembre-se que os dois lados devem trabalhar juntos.

Montem uma estratégia juntos


A educação e disciplina das crianças não podem ser deixadas ao acaso. Criem um plano.

Façam por escrito o que os professores e pais farão juntos em determinada situação.

Exemplo: Aqui na escola se a criança se jogar no chão fazendo birra ..............e quando você mamãe ou papai chegar pra buscar seu filho vamos passar essas informações para você e em casa agirão assim..........................

Esse é um ponto importante: Procurem falar a mesma língua. As crianças conseguem perceber quando duas partes não entram em acordo..... E com certeza vai deixar de respeitar um dos lados. Não queremos que nem os pais e nem a professora que fica com muitas crianças o dia inteiro percam essa autoridade não é mesmo?

As orientações da Psicologa Isis Pupo - M de Mulher (clique aqui) ajudarão os dois lados a definir o que é melhor para todos.

Coordenadores, professores esclareçam todas as duvidas com os pais: esse combinado deve funcionar entre as duas partes.
Estabeleçam nessa mesma folha, um prazo para voltarem a sentar e conversar sobre os combinados. Vamos pensar em um mês? Talvez seja razoável dependendo da situação.

Sugira aos pais que coloquem essa folha em um local visível (na porta da geladeira, ou na porta do guarda roupa). Eles devem leva-la novamente para a escola no dia combinado.

Nesse momento conseguirão visualizar melhor se os combinados foram colocados em prática, se aconteceram dificuldades no meio do caminho e quais foram elas.

Lembre-se: O que é apenas falado pode cair no esquecimento. Por isso anote tudo, tudinho. Retomem esse mesmo papel e anotem avanços e dificuldades para avaliar se as estratégias estão tendo resultado ou terão que fazer novos ajustes. A escola fica com uma cópia e os pais com outra. Também é interessante ter assinatura das duas partes (pais e professores). Mais uma forma de firmar esse compromisso.

Com certeza os pais e a escola terão muitos benefícios em ajudar o pequenino a crescer de forma consciente e responsável.

Só pra finalizar.....
Meus amigos, não sou dona da verdade. Essas são apenas sugestões baseadas em vivências de muitos anos como professora e coordenadora pedagógica.
Fico muito feliz quando posso compartilhar as sugestões dos colegas de profissão, baseados em suas vivências, suas realidades.

Gostou das dicas?

Como lida com essa situação na escola?

E você mamãe, papai, sente essa ajuda da parte da escola de seu filho?


Me conta....

Lu Fernandes Pedagoga