Muitos colegas Coordenadores Pedagógicos tem a seguinte dificuldade: 
- "Como faço para melhorar a visão de educação dos meus professores. Eles não trazem novidades para as crianças. Não exploram seus potenciais e só vejo mais do mesmo".

Bem, eu gosto muito de pesquisar e assistir documentários e filmes que criam uma pulguinha atrás da orelha e me fazem pensar que eu ainda não sei de nada, rsrs.

Numa dessas pesquisas encontrei um link que dizia: FILMES PARA REPENSAR A EDUCAÇÃO.
Resolvi assistir a alguns para saber se eu estou indo no caminho certo, ou se tenho que me redirecionar. 

Amei demais o filme COMO ESTRELAS NA TERRA e já escrevi sobre esse filme (clique aqui). Tenho certeza que ele pode te ajudar a começar a repensar a educação com seu grupo de professores.

E agora, assisti um documentário maravilhoso chamado QUANDO SINTO QUE JÁ SEI - clique aqui. Foi produzido pela Despertar Filmes e nos traz novos olhares sobre o que é educação. 

Pensei então em fazer essa matéria te dando algumas sugestões para usar numa parada pedagógica e mexer com seu grupo. 
Como sempre falo, não quero que faça aquele famoso modelo tradicional do copie e cole, e sim espero que as sugestões levantadas aqui te tragam ideias para adaptar na sua Parada Pedagógica com seu grupo. Fique a vontade para modificá-la como achar melhor tendo sempre um objetivo muito claro do que quer alcançar.

Parada Pedagógica


Vamos lá?
Geralmente uma parada pedagógica dura um dia inteiro. Vamos supor que seja de 8:00 às 17:00.
Então eu vou dividi-la da seguinte forma.

Após um café para receber a equipe...

8:45 às 9:00 - Reflexão

Uma brincadeira, ou uma reflexão que tenha ligação com o tema que quer abordar. Eu acredito que as dinâmicas, brincadeiras, rodas ou outros, sempre devem ter ligação com o principal tema do dia. 
Então, em um momento de reflexão, pergunte a cada professor como seria a escola ideal para os filhos deles. Não para as crianças que atendem, não! Mas para os filhos.
Anote num papel que ficará num lugar bem visível o dia inteiro.  
Outra sugestão seria usar um trecho do documentário. Peça para cada professor dizer o que acha da seguinte frase: "As crianças são como uma página em branco, onde devemos escrever um belo livro".
A sugestão é a mesma: Anotar cada ideia e deixar em um lugar visível. 
Pensei ainda em outra sugestão: Talvez se você coordenador conseguisse arrumar algo bem antigo para "trabalhar" com os professores nesse dia (talvez um rolo - papiro - e uma caneta bico de pena, ou um computador 286, um disquete flexível - lembra deles? rsrsrs) sei lá, algo assim. No inicio da parada pedagógica diz para eles que hoje todos vão utilizar esse objeto o dia inteiro. Muito provavelmente os professores te darão uma aula de modernidade dizendo que não se usa mais essas coisas e explicarão todos os motivos possíveis. Você pode anotar essas argumentações num papel que ficará visível o dia todo. 

Com essas perguntas você, enquanto coordenador consegue fazer uma pequena avaliação de como seu grupo pensa a respeito da educação. Esse levantamento te ajudará tanto nos direcionamentos que você precisará fazer no decorrer do dia para alcançar seu objetivo, como também te ajudará em atividades posteriores como por exemplo, tema para o grupo de formação continuada (clique aqui para ver a matéria sobre formação continuada)

Diga que hoje é dia de pensar nas práticas pedagógicas. Pode dizer também que muitas vezes nós temos que estar abertos para perceber que precisamos avançar no nosso entendimento sobre o que é trabalhar com educação visando sempre a  nossa prática. Muitas vezes isso pode ser um trajeto mais fácil para alguns e mais doloridos para outros, mas que com o apoio e colaboração de todos, isso é possível. 

9:00 às 10:30 - Assistir o documentário QUANDO SINTO QUE JÁ SEI

Prepare o grupo. Eu Luciana, gosto muito de preparar algumas perguntas de reflexão para os professores pensarem sobre elas no decorrer do vídeo. Isso ajuda para que o objetivo principal não se perca com comentários que só desviariam do foco principal. 
Então você pode entregar para cada um uma folha para que façam suas próprias anotações. 
Exemplo de perguntas:

1- No vídeo Simone André diz: "Um médico do século 20 NÃO conseguiria fazer uma cirurgia numa sala de cirurgia do seculo 21. Por quê? E um professor do século 19 conseguiria dar aula numa sala do século 21? Por quê? O que essa reflexão te traz de questionamentos?

2- O que te chamou atenção nos modelos de educação apresentados no vídeo? Por quê?

3- As mudanças apresentadas foram conquistadas rapidamente? Que falas no vídeo podem apoiar sua resposta?

4- Pergunta pessoal (não ligada diretamente ao video) - O que você mais gostava de fazer na escola em sua época de estudante? E o que menos gostava? Por quê? 

Acredito que essas quatro já são suficientes, senão pode virar um momento só de perguntas e respostas e não é isso que queremos.

10:30 às 10:45 - Pausa para um café, beber água, alongar as pernas, rs.

10:45 às 12:00 - Momento de discussão

Esse é o momento onde as opiniões serão faladas e mediadas por você. Ouça o que cada um colocou, o que cada professor pensa e por que pensa daquela forma. Procure entender o trajeto de vida e o trajeto pedagógico de cada um. Isso nos faz entender muito sobre aquele professor. 
Não deixe que vire um bate boca. Sempre redirecione para o ponto principal. 
Faça levantamentos dos pontos que considera mais importantes e anote num papel que estará visível a todos ou num caderno seu mesmo. 
Você pode escolher conduzir por pergunta ou de uma forma mais generalizada sobre as anotações que fizeram. 
Tenho certeza que esse bate papo vai render muuuuiiiittttoooo. 
Tenha claro que em determinado momento, você pode pedir ao grupo fazer um levantamento de ações que são feitas na escola e que reproduzem um modelo copiado e passado de geração em geração à décadas e talvez séculos. 
Com certeza esse momento exigirá uma autoanálise muito grande. Não será fácil admitir. 
Caso demorem pra se manifestar, tenha suas cartas: uma lista de atitudes que acontecem na escola e podem ser repensadas. Não traga práticas que você acha que devem ser repensadas, mas sim aquelas que tem base teórica para discussão. 
O próprio vídeo traz algumas sugestões:
- Formas de conduzir a aula dentro de um "quadrado" com um aluno atrás do outro;
- As regras da hora do recreio;
- Professor detentor do poder e crianças que precisam aprender, ouvindo a sabedoria do professor;
- entre muitas outras que poderíamos elencar e que o RCNei vol. 1 também nos dá suporte, como as práticas de reprodução de desenhos estereotipados, sem deixar a criança se expressar através de seus próprios traços, ou então enfeitar os espaços da escola utilizando as  habilidades manuais dos professores e escondendo quem são os verdadeiros protagonistas do espaço. Use esse texto da Revista Avisa lá pra te dar mais um embasamento - clique aqui.

12:00 às 13:00 - Almoço

13:00 às 13:45 - Retomada da pauta

Nesse momento, traga alguns pontos que ajudarão o professor a refletir se estão precisando de mudanças ou não. 
Um ponto que achei muito interessante foi a fala do Alessandro Bigheto no documentário, ainda no começo do vídeo, onde ele diz que "foi desenvolvida muita teoria, muitas ideias educacionais interessantíssimas mas que pouca coisa foi realmente colocada em prática". Use a frase para fazer um levantamento com os professores de onde estão registradas e quais são algumas delas. 
Sugiro aqui que separe para a equipe os livros do MEC que estão na escola (clique aqui para saber quais são alguns deles) e claro não posso deixar de sugerir meu querido RCNei. Deixe pré selecionado alguns trechos dos livros para vocês discutirem nesse momento. 
Depois dê uma tarefa à eles. Divida em grupos e cada grupo vai sugerir algumas mudanças que SIM, são possíveis realizar agora e que eles farão na sala deles com os grupos deles. Dê um tempo para discutirem e anotarem as sugestões baseados nos livros do MEC e no vídeo.
Para motivá-los a mudar apesar das dificuldades e barreiras, antes de se separarem em seus grupos, repasse o trecho do vídeo em 50:13 (minutos) onde a professora fala de seu aprendizado profissional, passando pela outra fala de que em vários lugares, muitas pessoas sempre colocam dificuldades e terminando com os dois coordenadores de oficina que falam que muita coisa só depende do professor. 52:49 (minutos).

13:45 às 15:15 - Grupos refletindo

Passe pelos grupos para saber se estão com alguma dúvida ou dificuldade.

15:15 às 15:30 - Pausa para um café, beber água, alongar as pernas


15:30 às 16:45 - Apresentação dos grupos

16:45 às 17:00 - Fechamento com pequena avaliação verbal de cada professor da pauta do dia.

Retome as primeiras falas que foram anotadas e ficaram expostas ao longo do dia. Será que algo mudou? 


Vídeo MA-RA-VI-LHO-SO não é mesmo?
E eu, espero ter te ajudado um pouquinho com algumas ideias. Sei muito bem como é difícil ser Coordenadora Pedagógica e como é importante dividir ideias com colegas de profissão. 
Depois me conta se a matéria te ajudou de alguma forma na escola. Vou ficar feliz. 

Abraços,
Lu Fernandes Pedagoga


Obs: Essa experiência é baseada exclusivamente no olhar do Coordenador Pedagógico, apesar de sabermos que o apoio da direção é fundamental para que as mudanças aconteçam. 

Novo CEI, novo desafio.
As Paradas Pedagógicas aconteciam normalmente - uma vez no mês, durante todo o dia. 
Mas as dúvidas das professoras ainda eram inúmeras. Só as paradas pedagógicas não supriam. 
Além disso, algumas práticas também mereciam uma reflexão maior.
Mas quando fazer isso? Em que tempo?
A rotina era corrida e não tínhamos um momento para conversar sobre as dificuldades. 

Por onde começar?

Iniciei pelos cadernos. Lia o caderno de avaliação de todos os grupos semanalmente. E não eram poucos cadernos não..... Isso levava horas... Gostava de prestar atenção em cada linha escrita e refletir no que estava escrito ali.
Procurava escrever os pontos positivos que estavam caminhando de acordo com a linha pedagógica do CEI, mas também colocava pontos que poderiam ser revistos. As teorias estudadas na faculdade e os bons sites também estavam sempre perto para dar base pedagógica às colocações. Queria que elas também refletissem sobre os pontos colocados. 
Eu enquanto Coordenadora, também não sei tudo (que bom) estamos sempre aprendendo. Quando ficava em dúvida sobre o que ou como escrever uma observação, pesquisava muito e lia muito. 

Percebi um retorno gigantesco das professoras. Planejamentos e avaliações que eram feitos uma vez por semana, uma vez no mês e em alguns casos nem existiam, se transformaram em avaliações diárias e ansiedade para chegar o dia de pegar o caderno e ver o que a coordenadora escreveu. 
Os planejamentos, avaliações e as práticas estavam melhorando, estavam acontecendo mais reflexões.
Mas muitas dúvidas ainda persistiam e outras surgiam.

Como suprir mais essas necessidades?

Em que momentos pesquisar mais profundamente sobre os assuntos trazidos pelos grupos de crianças para tornar as atividades mais ricas em informações?
Em que momento inserir essa prática na rotina para não perder a qualidade? 
Era necessário organizar momentos de estudos e planejamentos além da parada pedagógica mensal.   

Realmente a reflexão existente em vários livros pedagógicos, entre eles o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (RCNei) mostram o quão importante é ter um momento dentro da rotina para os professores planejarem e um momento para a famosa formação continuada, reflexão. 

O trecho do RCN nas páginas 67 e 68 que destaca a importância desse momento é esse aqui:

Essa matéria da Revista Nova Escola amplia os olhares sobre a formação continuada.

Esse desafio foi bem grande. Abrir dois espaços dentro de uma rotina totalmente ocupada. 
Passei vários momentos analisando a quantidade de professoras titulares, a quantidade de professoras de apoio/volante e a distribuição dos grupos de crianças. As rotinas eram muito apertadas e estava quase saindo fumaça da minha cabeça, RS RS. 

Até que o primeiro modelo de planejamento e estudo saiu. Agora era tentar convencer as professoras de que aquilo era importante e que deveríamos colocar em prática. 
Aparentemente seria uma tarefa fácil afinal todo professor concorda que precisa ter um tempo pra planejar e um tempo para estudar, refletir sobre a prática. Só que tem um detalhe importante: quando se trata de mexer numa rotina já engessada e cada um ter que ceder um pouco para as mudanças funcionarem, a coisa é tão fácil assim. 

Conversei muitas vezes com a equipe em grupos ou em particular. Separei textos para dar base teóricas da importância daqueles momentos. E claro, procurei não desistir nas primeiras dificuldades. Bem, elas vieram mesmo. Quando uma professora faltava o planejamento não acontecia. Algumas professoras começaram a reclamar que estava ficando sobrecarregado aqui e ali. A cada obstáculo colocado e cada dificuldade levantada, procurava observar o que talvez era uma necessidade de um empenho maior por parte da equipe e o que realmente precisava ser revisto. 

Acabamos chegando em outra rotina de estudos e planejamentos

Eu estava decidida: achar um jeito desses momentos funcionarem. Mas as opiniões de toda a equipe foi fazendo com que os momentos fossem reformulados até conseguirmos chegar num comum acordo e fazer todas perceberem que aquela não era uma ideia temporária da coordenadora e que logo aconteceria menos e depois esquecida. Não! 
Deveria se tornar parte da rotina. A cada "esquecimento" eu estava ali para lembrar que era para acontecer. Não foi fácil, mas com o passar dos meses o resultado foi maravilhoso. Que orgulho! Agora as professoras conseguiam sair da sala pelo menos 1 hora na semana para pesquisar no computador do CEI, discutir e planejar com as companheiras.. enfim. 
E agora também tínhamos 1 hora na semana, pequenos grupos organizados de acordo com as faixas etárias, estudo sobre assuntos que elas mesmo davam as dicas do que estavam precisando pelos relatórios dos cadernos. 

E continuamos...

Talvez ainda fosse pouco. Será que poderíamos melhorar? Claro que sim. Sempre temos o que melhorar. Mas o primeiro obstáculo foi vencido. Esses momentos foram estabelecidos como rotina do CEI. E a importância da colaboração de toda a equipe para que todos conseguissem usufruir desses momentos também foi notada. 

Você já tentou criar os momentos de estudos e planejamentos no seu CEI? 
Está com dificuldades? 
A tarefa não é fácil mas planeje bem e não desista. Fundamente-se bem. 

E claro que não serve apenas para CEI, mas também para EMEI, escola.  
Se precisar, mande uma mensagem. Tentarei colaborar com minha experiência.

E para quem tem boas experiências para contar, deixe aqui nos comentários. Pode ajudar muito nossas colegas.

Obrigada, 
Lu Fernandes Pedagoga

Você já falou essa frase?
Já teve companheiros de trabalho que falaram?

Ah! Tem outra frase pra complementar: "Quem tem que fazer trocas de fraldas é a volante/apoio". 

Acontece muito na Educação Infantil, principalmente nos CEIs. 
Resolvi fazer essa postagem por conta de experiências pessoais (e muitas).

Muitas vezes, imaginamos que vamos fazer pedagogia e .... PLIM!!!!
Vamos ensinar as crianças a ler e escrever.
Pronto! É isso que um pedagogo faz.

Você pensa assim? 
Vamos conversar um pouco e analisar se você precisa rever seus conceitos.

Ensinar é muito mais que ler e aprender


Se decidimos fazer pedagogia, sabemos que podemos trabalhar com crianças de poucos meses de idade no CEI. Por que um bebê está num CEI (Centro de EDUCAÇÃO infantil)?
Ora, ele é um ser humano em desenvolvimento e precisa aprender. E aprender muito! 
No convívio familiar e escolar eles estão o tempo todo aprendendo novas coisas sobre as situações que os rodeiam.

Todos nós pedagogos já ouvimos as famosas palavrinhas EDUCAR E CUIDAR.
O que é esse Educar e Cuidar?


"...as instituições de educação infantil incorporem de maneira integrada as funções de educar e cuidar, não mais diferenciando nem hierarquizando os profissionais e instituições que atuam com as crianças pequenas e/ou aqueles que trabalham com as maiores." e 

"Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural."

Essas duas características estão profundamente ligadas uma à outra. 
Como um professor, pedagogo pretende ensinar sem cuidar?

Se o EDUCAR também é propiciar situações de cuidado, trocar as fraldas não seria então uma situação de cuidado?
Oque o bebê aprende no momento das trocas de fraldas?

Vamos alistar algumas coisas: 
- A criança começa a perceber o que é estar limpo ou sujo e a valorizar ficar limpo;
- Cria uma relação de confiança entre o adulto e a criança;
- Permite um contato mais prolongado e individualizado com a criança;

É possível até incluir na rotina, um projeto institucional bem planejado sobre essa etapa de necessidade das trocas de fraldas até o desfralde.

Olha só essas duas sugestões maravilhosas da Revista Nova Escola


Essa fase é tão importante e está tão ligada ao nosso fazer pedagógico, que o O RCN nº 2, págs. 58 e 59 tem um tópico só sobre esse assunto.

Olha que sugestão interessantíssima ele nos traz:

"Enquanto executa os procedimentos de troca, é aconselhável que o professor observe e corresponda aos sorrisos, conversas, gestos e movimentos da criança."

Então cuidar da Troca de Fraldas faz parte do trabalho de educar os bebês no CEI.
Essa fase de poder cuidar desses pequeninos é tão gostosa!
Devemos valorizar muito o privilégio de fazer parte do desenvolvimento deles desde tão pequeninos. 

Espero que tenham gostado da matéria e esclarecido algumas dúvidas.

Tem alguma experiência pra contar e compartilhar?
Deixa aqui nos comentários.

Abraços,
Lu Fernandes Pedagoga









"O sol por ali assim,
Chegou uma velhinha assim,
Com a trouxa desse tamanho
E um pedacinho de sabão assim,
E um pouquinho de água assim..."

Se você é professor(a) da educação infantil deve ser assim também.....
Essas músicas não saem da cabeça.
Na creche ou na escola passamos o dia cantando com as crianças, e em casa os familiares aprendem também, de tanto cantarolarmos, rsrsrsrsrs.

O repertório de músicas infantis é muito grande.
Muitas são super conhecidas, outras são mais regionais.
E essas músicas já foram gravadas e regravadas por artistas famosos como Xuxa e Galinha Pintadinha.

São tantas opções que às vezes ficamos perdidos.
Quais músicas escolher?
Quais se adequam melhor ao meu projeto?
Criança só deve ouvir músicas infantis?

Publicidade: 

Algumas situações comuns

Meus amigos, com certeza as músicas tradicionais e regionais infantis que tanto cantamos para as crianças desde muito pequenas são importantes. 
E claro que também temos que valorizar as músicas que estão em seu contexto familiar. 
Cada criança, cada família, tem um gosto musical que faz e continuará fazendo parte da história da criança.

O que muitas vezes acontece no ambiente escolar é a falta de pesquisa antecipada para trazermos às crianças um enriquecimento desse repertório.
Como assim?



Vamos pensar e refletir em algumas situações:

Situação 1 - Os pais em casa já compraram todos os DVDs da Galinha Pintadinha. A criança já conhece e sabe cantar todas as músicas. A maioria das crianças da turma já conhece. 
Talvez o professor ache que esse é uma avaliação de que esse deve ser seu ponto de partida para montar seu projeto. Quais as músicas que o professor vai escolher? As músicas que eles já conhecem? E ainda durante o projeto planeja vários momentos onde a atividade será ouvir as músicas desses mesmos DVDs exaustivamente para as crianças dançarem? 
Nesse contexto, qual é a novidade?
Como o repertório das crianças está sendo ampliado? 

Situação 2 - No CEI ou na escola algumas músicas já estão dentro da rotina. As crianças cantam as músicas regionais tradicionais na hora da roda. Na entrada e saída tem o momento de cantar ou até mesmo assistir DVDs com essas músicas infantis. 
Mais uma vez pensamos no momento de montar um projeto: Vou fazer um projeto sobre músicas infantis.
Hei! Qual é a novidade? 
As crianças já não tem as músicas tradicionais regionais em determinados momentos da rotina?
Ora, se na roda fazemos os gestos característicos da música para acompanhar o som e o movimento corporal, já temos alguns elementos sendo trabalhados aí. (alguns ok, pois a música é um eixo muito amplo). E também estamos ajudando a não deixar essas músicas do cancioneiro popular morrer.
Se tiver uma nova música para aprender, é só inclui-la nesse momento tão divertido e prazeroso que é a roda de música. (Também não precisa necessariamente ser uma roda)

Situação 3 - Dentro do projeto existem momentos onde os professores acham importante trazer músicas referentes ao assunto abordado. Quais escolhe? 
As cantadas no DVD da Xuxa? Afinal ela canta num estilo que as crianças gostam e assim fica mais fácil entender. 
Bem, será que as crianças só podem e devem ouvir músicas produzidas pela mídia para atingir esse público.
Amigos, não vamos subestimar a inteligência das crianças!

Calma! Não estou dizendo para abolirem essas músicas. 
Mas toda a nossa prática deve ser pensada para favorecer o desenvolvimento das crianças.
Esses DVDs produzidos pela mídia tem seu lugar e seu momento.

Mas estamos pensando em APRENDIZADO e AMPLIAÇÃO DE REPERTÓRIO. 

O RCN nº3 na pág.65 nos diz: 

"Há que se tomar cuidado para não limitar o contato das crianças com o repertório dito “infantil” que é, muitas vezes, estereotipado e, não raro, o mais inadequado. As canções infantis veiculadas pela mídia, produzidas pela indústria cultural, pouco enriquecem o conhecimento das crianças. Com arranjos padronizados, geralmente executados por instrumentos eletrônicos, limitam o acesso a um universo musical mais rico e abrangente que pode incluir uma variedade de gêneros, estilos e ritmos regionais, nacionais e internacionais."

Pense e reflita bem nesse trecho acima.

Publicidade: 






Mas então, como vamos ampliar o repertório de nossas crianças? 
O próprio RCN nº 3 pág. 64 responde: 

"Tal repertório pode contar com obras da música erudita, da música popular, 
do cancioneiro infantil, da música regional, etc."

Que tal incluir uma música clássica suave na hora da troca de fraldas e do banho, como música ambiente?
Que tal embalar as crianças nesse momento com músicas calmas ao som da voz do próprio professor trazendo mais aconchego e cumplicidade entre você e o bebê?  
Que tal incluir MPB no projeto do ano?
Ou até mesmo montar um projeto de algum cantor da MPB? O mesmo RCN na pág. 65 nos orienta: 

"O contato com uma obra musical pode ser complementado com algumas informações 
relativas ao contexto histórico de sua criação, 
a época, seu compositor, interpretes, etc"

Sim. Trazer ritmos diferentes, formas de cantar diferentes, conhecer instrumentos diferentes que são usados por aquele cantor, conhecer a história..... 

Ah! Luciana mas esse tipo de projeto não chama a atenção das crianças. Elas não vão gostar. 
Então assiste esses vídeos aqui:



Isso me lembra o seguinte trecho do RCN nº 3, pág. 52: 

"...Diferenças individuais e grupais acontecem, fazendo com que, aos três anos, por exemplo, integrantes de comunidades musicais ou crianças cujos pais toquem instrumentos possam apresentar um desenvolvimento e controle rítmico diferente das outras crianças, demonstrando que o contato sistemático com a música amplia o conhecimento e as possibilidades de realizações musicais."

A música traz uma ligação emocional. Essas crianças aprenderam e gostam dessas músicas por influência dos pais ou das pessoas que admiram. 
Na escola as crianças também tem uma ligação emocional com seus professores. Se os professores transformarem esse projeto num aprendizado prazeroso, se for instrutivo e também divertido, as crianças terão a oportunidade de se familiarizar com outros estilos musicais. Poderão no futuro ter a oportunidade de escolher entre tantas opções e não apenas as impostas pela industria das música. Acredito que nesse momento, o forte é o funk. Veja aí se muitas delas não sabem cantar várias dessas músicas, rsrs.
Também as crianças tem a oportunidade de aprender. Como mostra o trecho acima do RCN, elas podem aprender se tiverem a oportunidade. As crianças são capazes, são inteligentes. 

Só pra exemplificar: Hoje tenho um gosto musical específico. Mas tem várias músicas do ABBA e de cantores sertanejos como Milionário e José Rico que me pego cantando quando ouço. E gosto! E elas me trazem ótimas recordações.  
Mas por quê? Porque meus pais colocavam esses discos (isso mesmo... discos) para tocar em casa quando eu era criança. Eram minhas músicas de infância.
Lógico que também ouvi músicas produzidas para o público infantil como Xuxa, Chiquititas e outras mais. Mas percebem que existem as variedades?

Quais são suas músicas de infância? Quais lhes trazem recordações maravilhosas? 
Quais músicas do repertório regional ou internacional queremos deixar marcados no coraçãozinho de nossos pequenos?

Pensem nisso!
Ampliem as possibilidades!



Sugestões 

Para finalizar, o RCN nos traz uma lista incrível de Obras Musicais e Discografia nas páginas 79, 80 e 81.

Tem Palavra Cantada (que eu amo de coração, rsrsrs). As músicas deles tem um repertório do mundo infantil cantado com muito cuidado, muita atenção aos detalhes, riquezas de instrumentos e de rimas....... Enfim, eles não subestimam a inteligência das crianças. Vale muito a pena usar as músicas deles (sou suspeita, rsrsrsrs).
Tem as nossas queridas músicas populares infantis, porém cantadas por Toquinho, Vinicius de Moraes, entre outros. Os arranjos, melodias, formas de cantar trazem uma riqueza de informações que podem ser trazidas para as crianças.
Tem músicas regionais muito específicas como as Indígenas por exemplo. Por que cantar apenas 1,2,3 Indiozinhos? Vamos trazer o que é realmente ser indígena através de sua cultura, incluindo as reais músicas tradicionais deles? Talvez queiramos deixar de falar do índio apenas em abril e ampliar para um trabalho profundo sobre esse povo. 
Tem música clássica para crianças - Tchaikovsky. Muito gostoso e prazeroso ouvir.

E nas páginas 70 à 72 no subtópico Jogos e Brincadeiras, nos traz observações interessantes que contém nas tradicionais músicas infantis e que podemos utilizar para direcionar melhor nossos objetivos com cada uma delas.

Vamos usar e abusar dessas idéias meus amigos. 

Deixo abaixo o link de algumas obras para ouvirem, mas atualizarei essa lista conforme encontrar os áudios na internet para que possam utilizar no CEI ou na escola, ok?






Abraços, 
Lu Fernandes Pedagoga










Queremos sempre que nossas crianças aprendam da melhor maneira possível. 
E para isso a estratégia escolhida fará uma grande diferença.
O que escolher? 
Você até já ouviu falar em sequência de atividades, mas não entende bem sua aplicação?
Essa matéria vai te ajudar.

Falando sobre a sequência de atividades


Segundo o RCNei vol.1, pág 56, "são atividades planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. São sequenciadas com intenção de oferecer desafios com graus diferentes de complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir de diferentes proposições. Estas sequências derivam de um conteúdo retirado de um dos eixos a serem trabalhados e estão necessariamente dentro de um contexto específico."

Gosto muito do Referencial Curricular. Apesar de já ser um pouco antigo, no meu ponto de vista ele trouxe uma revolução no modo como devemos olhar o aprendizado de nossos pequeninos. 

Bem, suponhamos que o projeto que você está realizando com as crianças tem muitas atividades de desenho livre, para que eles se expressem sobre o que estão aprendendo através de desenhos.
Mas você, professor atento e que já leu muitas matérias da internet ou de livros que falam sobre o desenvolvimento do desenho infantil (essa matéria da Nova Escola pode ajudar), percebe no meio do caminho, que os desenhos de seus pequenos não estão tão adequados para a faixa etária (isso não é uma regra pois cada criança e cada turma tem seu tempo, mas você percebe que eles podem dar um passo a mais). 
Talvez sua turma não tenha tido muitas oportunidades de exercitar essa tarefa fantástica que é o desenho livre. Pode ser que até então, só tenha sido oferecido a eles desenhos prontos, e não conseguiram desenvolver tão bem os próprios traços. O que fazer então? 
Faça uma sequência de atividades que possa ajudar as crianças a desenvolver um pouco mais esse desenho. 

Vamos analisar:
Desenvolver os traços dos desenhos é algo bem específico. Como vimos no Referencial, não precisa abranger todas as outras áreas do conhecimento - Movimento, Música, Artes visuais, Linguagem oral e escrita, Natureza e sociedade e Matemática (áreas do conhecimento descrito no RCNei vol. 3). 
Projetos geralmente abrangem todas as áreas do conhecimento. Essa é uma grande diferença entre a sequência de atividades e o projeto. 

Nesse caso citado acima pode ser escolhido só as Artes Visuais por exemplo, e montar uma sequência. 
Quando pensamos em sequência, pensamos em algo que evolui do fácil para o difícil, do menor para o maior, e assim vai. A ideia aqui é a mesma.

Colocando em prática


Vamos pensar inicialmente em um mês, 2 vezes por semana. 
Serão 8 atividades que terão novos desafios um após o outro.
Uma das atividades pode ser só numa folha de sulfite em branco, outra simplesmente com um palito de sorvete colado no meio de uma folha, outra com um circulo, na próxima com dois círculos paralelos, outra pode ter um triângulo colado em um canto da folha, e assim até que você professor, perceba que os desenhos das crianças estejam mais elaborados. Quando alcançar seu objetivo, a sequência pode ser finalizada. Para saber se os desenhos estão realmente evoluindo, guarde o primeiro feito antes de começar a sequência. Durante o processo, dê outro desenho livre e faça observações entre o primeiro e este novo.

Claro que você vai elaborar a sequência muito melhor do que o acima, colocando objetivo, e montando bem mais detalhadamente. Você também fará as avaliações para saber se está indo no caminho certo ou se algumas atividades precisarão ser modificadas e melhoradas.  

Essas atividades contendo interferências (algo que possa ser um ponto de partida a ser explorado) ajuda a criança a pensar em possibilidades. 
O palito de sorvete pode se tornar a base para o galho de uma florzinha. Um triângulo pode se transformar em um navio. Os dois círculos podem parecer olhos para dar vida a um rosto. 
Enfim..... as possibilidades são inúmeras.  
Vejam aqui a explicação e sugestão que o RCNei vol.3, pág. 108 traz. São ideias fantásticas que podem ser ampliadas de acordo com a necessidade de nossos pequeninos. 
Uma outra sequência muito utilizada é a do nome próprio. Quando bem planejada, ajuda as crianças a desenvolverem rapidamente a leitura e escrita do nome.

Professor, explore bastante essa forma de aprendizado. 
Se não conseguir entendê-la na prática logo de inicio, não se preocupe. Não deixe de fazer. Planeje uma e aplique. Observe bem. Analise. Vá fazendo as melhorias conforme for entendendo melhor. 

Você vai perceber a ferramenta poderosa que tem a sua disposição.
Gostou? Espero que sim!

Abraços,
Lu Fernandes Pedagoga


Já ouviu falar em projeto PLANETA TERRA? Tenho certeza que sim. 
Esse sem dúvida é um dos projetos mais realizados todos os anos na Educação infantil. 
Cada professor, ao planejá-lo pode ter um objetivo. 
Geralmente, um objetivo em comum entre eles é ensinar para as crianças de alguma forma que o nosso planeta é importante e que temos que cuidar dele.
Mas já me perguntei muitas vezes se esse objetivo (o de cuidar do planeta) é realmente atingido.
Em muitos anos na área e conhecendo muitos trabalhos, percebi uma repetição de atividades sobre esse tema que muitas vezes apenas reproduzem o que outros colegas já fizeram. 
Na hora do planejamento, a sequência de atividades escolhidas não leva em conta as necessidades da turma, da natureza ao seu redor, dos malefícios que certos hábitos estão tendo no meio ambiente em seus tempos.

Algumas atividades (que claro, tem seu momento dentro do ambiente escolar), não trazem uma reflexão real com as crianças sobre quais são as AÇÕES que elas devem tomar para ajudar a melhorar sua casa, sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país..... o planeta. 

Vou alistar abaixo algumas atividades que se repetiram dentro desse tipo de projeto (essas foram de experiências minha enquanto professora e coordenadora pedagógica):

- Vamos pintar a árvore
- Vamos colar papel crepom na árvore
- Vamos pintar o leopardo, tucano (e outros animais existentes no planeta)
- Vamos fazer a árvore com as palmas das mãos e tinta guache
- Leve o menino até a natureza por esse caminho..... (atividade de "ligar" um lugar ao outro)
- Vamos nos vestir de árvore, de leão, etc
- Vamos fazer a árvore de recicláveis 
- Vamos confeccionar o leão com EVA
- Vamos pintar o mapa mundi
- Vamos assistir ao vídeo da árvore falante
- Cole elementos da natureza no mural......

Será que alguém se identificou? 
Tenho certeza que muitos de nós conhecemos essas atividades. 
E muitos já devem estar se perguntando: Mas o que há de errado com elas?
Nas atividades em si... nada.
O problema é como muitas vezes o professor planeja e organiza. 
Em partes, ficamos felizes de termos a internet para nos auxiliar nas nossas dificuldades e dúvidas.
Mas por outro lado, deixamos a correria nos fazer pegar a primeira atividade pronta na internet para aplicar na sala. 

Agora, imagine um projeto inteiro com uma sequência de atividades no estilo acima. 
Será que essas atividades por si só, levam a criança a ENTENDER quais ações elas devem realizar para ajudar DE VERDADE o planeta? 

Não quero aqui dizer que alguém está fazendo seu trabalho errado. Até porque os objetivos mudam de uma turma para outra. 
E também vamos ganhando experiência com o passar dos anos e melhorando nosso modo de trabalhar. Vamos descobrindo que podemos planejar o mesmo projeto e escolher objetivos diferentes. 

Eu sempre pensei muito sobre o objetivo de aplicar um projeto na educação infantil. Quando fosse montar, pensar CLARAMENTE que objetivo eu gostaria de alcançar no fim do ano (sendo um projeto anual). 

Usando as atividades acima, o objetivo alcançado seria o de conhecerem materiais diferentes e adquirirem algumas habilidades artísticas. Se o objetivo do professor for esse........

Mas geralmente, quando o professor tem em mente esse projeto, ele pensa na responsabilidade que todos nós temos de cuidar de nosso lindo lar, que é o planeta Terra. 

Mas então, que tipo de ações devem constar no planejamento do professor para alcançar esse objetivo?

Eu, Luciana, não gosto muito de projetos prontos pegos na internet, ou nos livros de projetos que tem em coleções......
Acredito que toda escola ainda tenha esses livros.

Acredito em pesquisarmos IDEIAS na internet e adequá-las a realidade e necessidades de nossas crianças.
Então vou sugerir algumas coisas, mas nada pronto. 
Elas servirão para que todos nós reflitamos no objetivo que temos com cada atividade e como ela esta diretamente ligada ao objetivo maior do projeto.

Salvando o Planeta

Essa responsabilidade é muito grande. 
Em um ano de trabalho com certeza não conseguiríamos mostrar para as crianças todas as formas de ajudar a cuidar da Terra. 
O interessante é pensarmos em pequenas partes.

Podemos ajudar o planeta gerando menos lixo em casa, por exemplo. 
Pode parecer pouco, mas isso dá um trabalho de projeto para o ano inteirinho....
Não acredita?
E vamos pensar bem... Diminuir a quantidade de lixo não ajuda significativamente a melhorar o planeta? Pense em quanto lixo é gerado todos os dias? Essa ação por si só melhoraria muita coisa.

Para entenderem melhor o que quero dizer, vou criar uma turma imaginaria e pensar em possibilidades que podem suprir as necessidades da turma que recebi esse ano.

Idade: 3 à 4 anos
Projeto: anual (abril à outubro)
Realizar: o projeto 2x por semana
Objetivo: Promover ações que levem as crianças a serem multiplicadoras do conhecimento, e poder contribuir para  melhorias no nosso bairro.
Pontos observados da comunidade: Desde fevereiro venho observando que minhas crianças gostam muito de brincar no parque da escola, que tem muitas árvores e plantas. Mas as pessoas da rua jogam muito lixo nas calçadas e uma parte desse lixo infelizmente entra no nosso parque com os ventos. Muitas vezes as crianças veem ou até pegam esses lixos para brincar. 
Próximo da nossa escola tem lugares cheios de lixo, a começar pelas calçadas.. 
Todas as vezes que chove, esse lixo entope as passagens de água e o bairro vira um caos.
Aqui no bairro já temos a coleta semanal de recicláveis. 
Já observei também que pela manhã, quando os pais trazem as crianças ou no final do dia, quando vem buscar os filhos, os pais dão algum alimento para as crianças e estes jogam suas embalagens no chão. 
Em alguns momentos como na reunião de pais e outras oportunidades que tive de conversar com os pais, percebi que eles tem o habito de levar os filhos para fazer compras nos supermercados aqui próximos.

Conhecendo essas particularidades do meu grupo, posso pensar em possibilidades de etapas para nosso projeto.

Etapa 1: Abril - 4 semanas = 8 atividades em média
Momento de investigação mais detalhada do que as crianças sabem.

- Fazer rodas de conversa sobre como é para as crianças fazer compras: o que costumam comprar, se ajudam o papai e a mamãe a carregar uma sacola. O que elas fazem com a embalagem da bala ou danone que comem?
- Dar folhas para que as próprias crianças desenhem como é sua rotina de compras com os pais (as crianças expressam muitas coisas através dos desenhos)
- Elaborar um questionário para ser enviado aos pais.
- Fazer levantamento do que as crianças sabem e não sabem e durante o ano usar atividades que ajudarão a responder as perguntas das crianças. 
- Preparar um cartaz de O QUE SABEMOS e O QUE APRENDEMOS. (Ele será preenchido durante o ano junto com os conhecimentos adquiridos com o grupo)

Possivel avaliação da etapa 1: Nesse contexto, percebo que a grande maioria ainda usam muitas sacolas descartáveis e não se atentaram ao dia da coleta reciclável.

Etapa 2: Maio, Junho, Julho - 12 semanas = 36 atividades em média

- Preparar reunião de pais para falar sobre o projeto do ano
- Levar vídeos e livros em momentos de rodas de conversa que levarão as crianças a entender como podem ajudar a diminuir sacolas plásticas (veja esses vídeos do projeto Akatu - em especial os vídeos: um novo olhar sobre o plástico e o ciclo das sacolas plásticas)
- Momentos de desenhos livres para que as crianças expressem nos desenhos o que estão absorvendo do assunto e possam nortear os próximos passos. Os desenhos prontos, aqueles impressos todos iguais para as crianças, não mostrará o que eles estão aprendendo.
- Visitar supermercados da região para saber como são utilizadas as sacolas plasticas. Preparar algumas perguntas junto com as crianças. Levar em conta principalmente os questionamentos deles. Marcar entrevista com um  responsável do supermercado.
- Colocar na sala um lixinho para que as crianças joguem as embalagens do alimento que comerem e assim acabem ensinando para os outros. 
- Depois de bem entendido o assunto, confeccionar JUNTO com as crianças frases que serão reproduzidas em cartazes para colocar pela escola e pelo bairro e nos supermercados. Escrever junto com eles para que se apropriem da escrita. 
- Convidar os familiares para participar de alguma atividade sobre o assunto, dando também o exemplo para as crianças.
- Fazer jogos e brincadeiras que ensine o que pode ser reciclado e o que não pode. 
- Preparar folders, onde a escrita também pode ser feita com a ajuda das crianças para que se apropriem dela. Esse fôlder vai conter as informações do dia, horário que passa o caminhão de coleta de reciclável e o que pode ser separado em casa. 
- Entregar em diversos estabelecimentos da região.

Etapa 3: Setembro e Outubro - 8 semanas = 16 atividades em média - finalização

- Confeccionar com os pais algumas sacolas reutilizáveis com TNT. 
- Preparar um material que será levado pra casa, de tudo que aprenderam e como irão utilizá-lo como aprendizado para toda a vida.
- Preparar uma avaliação para os pais de como esse projeto mexeu com sua vida em casa, e sobre atitudes que mudaram durante o ano. 

Gosto muito de dividir projetos por etapas. Me ajudam a visualizar melhor tudo que posso planejar de uma forma coesa e organizada.

Conseguem perceber como as crianças participam ativamente nas etapas do projeto? 
Os professores fazem sim um levantamento de ideias, mas elas podem ser modificadas de acordo com o conhecimento que as crianças trazem. 
Nada é imposto pelo professor. Eles constroem as ideias juntos. 
A ideia do projeto mobiliza atitudes para a vida e mexe com os pais, familiares e comunidade.  

Será que esse projeto sobre como ajudar o PLANETA TERRA terá bons resultados? 
Bem... esperamos que sim. Com o objetivo bem claro, as atividades foram pensadas e organizadas para alcançá-lo. 

Muitas variáveis podem ser feitas dessa ideia. Como eu disse, ela vai precisar se adequar com cada realidade. Fiquem a vontade para usar essa ideia e modificá-la como acharem mais adequado.
Esse projeto poderia ser voltado para a preservação da água no planeta, ou para os animais em extinção do planeta Terra,  etc. 
Para cada objetivo,  atividades que levem a alcanca-lo. 
Tenho certeza que vários de vocês já tiveram ideias incríveis que podem complementar e até melhorar as ideias acima.

Gostaram? 
Me contem as experiências de vocês.

Grandes abraços
Lu Fernandes Pedagoga