No mês de dezembro a maioria das matriculas já está fechada.

Muitas mães foram chamadas depois de uma longa espera na gigantesca fila do EOL - Escola On Line. Esse é o nome do cadastro feito aqui em São Paulo. Não sei dizer se em outros lugares o sistema é o mesmo ou parecido.

Durante a matricula, muitas mães manifestam sua felicidade dizendo que agora terão onde deixar seus filhos enquanto trabalham.

E é aqui que nossa conversa começa.

Claro que as mães não tem obrigação de ter o conhecimento teórico de como é o funcionamento de um CEI (Centro de Educação Infantil), mas a partir do momento que conseguem matricular sua criança, é muito importante saber além do que todo mundo fala:

- "Vou deixar meu filho na creche* para conseguir trabalhar. Chegando no final do dia ele estará alimentado e terá brincado muito. Estou feliz com isso!"

Será que é só isso? O que está por trás da alimentação, da brincadeira e de outras coisas que você nem imagina que acontece num CEI?

*Obs: Muitas pessoas conhecem os CEIs pelo nome de CRECHE. A palavra CEI ainda é pouco utilizada pelos pais.


1 - O IMPORTANTE CONVÍVIO COM OUTRAS CRIANÇAS


Os lares tem cada vez menos crianças. Muitos casais decidem ter apenas um filho. E mesmo quando decidem ter mais, dificilmente as crianças saem para brincar com outras enquanto os pais estão trabalhando. A criminalidade está em todo lugar e os pais querem proteger suas crianças. 

Consequência: Eles ficam dentro de casa assistindo TV,jogando vídeo game, ou usando computador. 

No CEI seu filho estará convivendo com várias outras crianças da mesma idade. Existirão sim os conflitos, mas a professora está lá para ajudá-los a resolver da melhor forma possível. É natural da idade que a primeira forma de se defender ou conseguir o que quer seja mordendo e batendo. Nesses momentos a professora conversa e explica que a melhor forma de resolver é conversando. 

Vamos ver um exemplo:
A criança quer brincar com um brinquedo que está com o colega. A primeira reação da criança para conseguir aquele brinquedo será bater no colega, ou pegar o brinquedo da mão dele a força. Já imaginou a cena? Choro pra todo lado!

A professora vai conversar com os dois e mostrar que para conseguir aquele brinquedo o melhor a fazer é pedir. Daí eles combinam que um brinca um pouco e depois o outro. Imagine a alegria da professora em ver que depois de algum tempo a criança consegue conversar com o colega para conseguir o que quer ao invés de partir para a agressão.
Que vitória! (Claro que isso não vai acontecer de um dia para o outro. Serão muitas cenas dessas até que a criança realmente entenda e coloque em prática).

Agora mãezinha, será que a criança aprenderia essa importante lição de convívio se não tivesse a oportunidade de passar por isso junto com várias outras crianças e aprender qual a forma correta de resolver seus conflitos?

Se a criança fica apenas dentro de casa e/ou só convive com adultos, dificilmente aprenderá essa lição importantíssima para o convívio em sociedade.

2 - ROTINA E ORGANIZAÇÃO


Em casa, a criança brinca e deixa tudo espalhado. A mãe vai lá e sai recolhendo. 
A criança não tem um horário para dormir, para comer...

Pois então, já observou como é o começo do dia no CEI? 
Aquele geralmente é o momento de lazer com brinquedos... As crianças já sabem que devem chegar, guardar sua mochila e ir brincar enquanto aguardam os outros colegas chegarem. Tem até alguns bebês que em casa não largam a chupeta pra nada, mas quando chegam na porta do CEI já sabem do combinado da turma que é guardar a chupeta e pegar na hora do descanso (que fofo!). Muitas mães ficam espantadas. 

Mas depois da brincadeira a sala precisa ser arrumada. A professora ensina à todos que devem ajudar a guardar cada coisa em seu lugar. Depois tem o horário de café, de atividade, de ir ao parque, de descansar...

Tudo no CEI acontece todos os dias nos mesmo horários. Isso é extremamente importante para a criança pois ajuda na autonomia do pequeno. Tanto é que às vezes a professora nem precisa dizer o que vai acontecer depois porque eles já sabem.

E na hora de guardar os colchonetes, os lençóis e colocar os sapatos após o momento do descanso.... Gente, é muito lindo! Chega um momento que um já vai dizendo para o outro o que tem que fazer, ajuda o colega a colocar o sapato e vai pro cantinho da brincadeira aguardar o momento de ir pro refeitório.

Mãezinha, imagine crianças tão pequenas e já sabendo se organizar. Olha que maravilhoso! Claro, sempre com a supervisão e orientação da professora que ajuda no que for necessário.

3 - ALIMENTAÇÃO BALANCEADA



Bem, com toda a correria do dia a dia, dificilmente você vai conseguir fazer uma alimentação balanceada pro seu filho em todas as refeições e todos os dias.

Num geral as crianças tomam um iogurte, achocolatado de caixinha, biscoito recheado, macarrão instantâneo, nuggets, refrigerantes, suco em pó e coisinhas assim, tudo muito prático. 
E geralmente é na hora que a criança quer e não num horário estabelecido pela família. E ainda mais... na frente da TV. Não é verdade?

Agora você já observou a alimentação servida no CEI?

O trabalho das cozinheiras é gigantesco.

Café da manhã com itens variados durante a semana como leite, pães, biscoitos, bolos, margarina, geleia.

Suco natural (é isso mesmo, frutas frescas) entre o café e o almoço.

O almoço também é balanceado. Sempre tem o arroz, feijão, um tipo de carne, salada quente, salada fria e uma sobremesa. (tudo fresquinho, preparado no dia).

O almoço em casa é assim todo dia? Difícil, não é? Olha, nem na minha casa que só moram duas pessoas, meu marido e eu, apesar de estarmos no esforço pra melhorar esse quadro (Rs).

Depois do momento do descanso, uma outra alimentação geralmente a base de leite, pois é necessário para a faixa etária.

E depois um jantar balanceado com carnes e legumes (às vezes macarrão, às vezes uma sopa, às vezes risoto) e uma sobremesa que costuma ser fruta.

As crianças aprendem a comer alimentos saudáveis e de forma balanceada.

Já tinha parado pra pensar nisso mamãe?

Além de tudo isso as professoras apresentam para as crianças os alimentos que estão comendo. Elas aprendem a distinguir uma grande variedade de alimentos.

Já assistiu o documentário do Instituto Alana Muito Além do Peso? (todos os pais no mundo deveriam assistir). As crianças estão crescendo sem conseguir distinguir frutas, legumes e verduras. Só conhecem as marcas de biscoitos, salgadinhos e refrigerantes.

4 - PROJETOS INCRÍVEIS



Mãezinha, já pensou em seu bebê aprendendo sobre artistas como Picasso e Romero Britto? Ou conhecer músicas clássicas e MPB? Poemas de Vinicius de Moraes e Cecilia Meireles? Não? Em casa ela passa o dia inteiro assistindo o DVD da Galinha Pintadinha?

Pois é!

Já ouvi muitas pessoas indo a uma mostra cultural nos CEIs e dizendo: "Puxa eu não sabia que as crianças aprendiam essas coisas no CEI!"

Quando as professoras te convidarem para conhecer os projetos que estão sendo realizados, observe o tema e o conteúdo. São conhecimentos que as crianças levarão pra vida. 
O CEI não ensina apenas letras e números.

5 - IMPORTANTES BRINCADEIRAS


- "Quando pergunto pro meu filho o que ele fez hoje, ele só diz que brincou o dia inteiro".

Mãezinha, você sabe o que está por trás dessas brincadeiras?

Muitas pesquisas e estudos das professoras está envolvido para passar o que há de melhor para seu filho. Só que a melhor forma de ensinar as crianças é através de brincadeiras. Então ela ensina a comer, brincando; ensina os projetos citados acima, brincando. Ela não sabe claramente o conteúdo que está aprendendo. Ela só acha que está brincando. Mas quanto aprendizado dia após dia! Além é claro, do momento de brincadeiras propriamente dito, que é planejado pelas professoras e fundamental para o desenvolvimento dos pequenos.

Imagina se a criança chega em casa dizendo que hoje no CEI teve uma aula teórica sobre algum assunto. Seria estranho, não acha?

Já tinha pensado nisso? Ela só fala que brincou.

Queridas mamães, vale muito a pena deixar seu filho num CEI. E motivos não faltam. Valorize esse espaço mais do que apenas um lugar para seu filho ficar enquanto você trabalha.

Procure conhecer bem a professora de seu filho. Converse sempre com ela. Esteja interessada em tudo que acontece no CEI.

Te convido a ler essa outra matéria (clique aqui) que fala um pouco mais sobre a escola (ou creche) e os pais.

As professoras se sentirão mais valorizadas pelo incrível trabalho que realizam e o aprendizado da criança será muito melhor por ter uma família participativa. 


Abraços,
Lu Fernandes Pedagoga 


Quando navegamos pelo facebook e internet num geral, nos deparamos com muitas postagens sobre:

- Garantir o direito de todos;
- Expor as injustiças que acontecem com várias raças, nacionalidades;
- E assuntos relacionados....

São muitos compartilhamentos.

Alguns nos mostram provas de superação, de persistência e de conquistas.

O vídeo que assisti ( assista aqui novamente) do pai ensinando libras ao filho (Guerrilha vídeos) me fez pensar sobre esse assunto.

Apesar de já ter assistido a muitos vídeos sobre língua de sinais e ouvido falar muito sobre o assunto, nunca tinha parado pra analisar isso na prática.

Na verdade, pensando nesses anos como pedagoga, não me lembro de ver crianças com Deficiência auditiva nos CEIs que conheci.

Na sua escola tem criança com deficiência auditiva?

Diretora, no cadastro de inscrições existem muitas crianças com essa deficiência?

Essa resposta, eu mesma não sei dizer uma estatística e ainda não encontrei dados de CEIs aqui na internet.....

Já recebi algumas mães que não se comunicavam verbalmente (não sei se deficientes auditivas pois nem sempre uma coisa está ligada com a outra) que foram fazer inscrição dos filhos. Elas geralmente iam acompanhadas de outra pessoa pois infelizmente ficava difícil de entende-las.

Naquele momento eu pensava:
- "Por que não sei LIBRAS?"

Mas acredito que como muitas de vocês a correria me consumia e eu acabava não dando continuidade a essa vontade de aprender libras.

Outra situação interessante que me aconteceu, foi quando precisei ir ao Poupa Tempo. Tinha um rapaz trabalhando lá que estava conversando em libras com um visitante. Como aquele visitante deve ter ficado feliz em poder sair e resolver o que precisava sem que houvesse alguém com ele para "traduzir".

Como é importante a comunicação, não é mesmo?

Como é importante conseguir fazer com que os outros nos entendam, seja verbalmente, gesticulando, ou de outras maneiras.

Me imaginando no lugar daquele cidadão: Se eu fosse a única pessoa que falasse verbalmente numa terra onde todas as outras só se comunicassem por língua de sinais e não entendessem a linguagem oral, como eu me sentiria? E como eu ficaria feliz em encontrar alguém que falasse como eu, que me compreendesse!

Assim como qualquer outro tipo de deficiência, as pessoas querem se sentir aceitas na sociedade e fazer parte dela.

Muitas vezes também temos nossos desafios de como ajudar essas pessoas da melhor forma possível.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA NO BRASIL


Bem, fui atrás de algumas pesquisas....

No site SURDO.COM.BR, existe uma pesquisa do IBGE no senso 2000, onde mostra que 24,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, sendo 14,5% da população total. Dentre eles, 4,6 milhões possuem deficiência auditiva e 1,1 milhão são surdas, totalizando aproximadamente 5,7 milhões de pessoas.

Uau, é muita gente, não é mesmo?

Mas o que está sendo feito para ajudar essas pessoas?

Se formos fazer uma pesquisa na internet já percebemos muitos sites, como esse citado acima, que procuram auxiliar os surdos.

Algumas faculdades já tem em sua grade o ensino de LIBRAS (na época que fiz, não tinha. snif!)

Mas as vezes, até os professores que aprendem na faculdade essa linguagem, não sabem como ou quando utilizar na prática.

Então, como eu e você podemos colocar em pratica a inclusão, pelo menos nesse aspecto?

A IDEIA


Que tal, incluir na grade do CEI um momento para ensinar LIBRAS para os bebês?

- "Ai ai Luciana, mas eu não tenho crianças com essa deficiência,e eu não sei LIBRAS. Não vai dar certo!"
- "Opa, já quer arrumar mais trabalho pra gente? Já temos uma rotina longa e extensa para cumprir!"
(desculpem amigas, mas já visualizei muitas dando essas respostas. Espero que você não seja uma hein?!) RS!

Bem, com certeza o novo nos assusta. E isso é normal. Mas me dá uma chance e se dê uma chance.

Pensa assim: 
- "Eu como professora, quero plantar essa sementinha no meu pequeno que está aqui comigo. Pode ser que ele cresça e se interesse em aprender LIBRAS para se comunicar com conhecidos que não falam verbalmente."

Imagine várias crianças que já crescem conhecendo um pouco dessa linguagem. A inclusão não estaria sendo espalhada por muito mais pessoas?

Calma, quero pensar num planejamento junto com você.

PLANEJANDO


Vamos lá.

Por onde começar.

Vamos pensar que você seja Coordenadora Pedagógica. As professoras tem um semanário a ser seguido não é?

Inclua nele, pelo menos uma vez por semana as LIBRAS. Pode ser no momento de ensinar repertório de palavras para os bebês.

Sabe aquele momento que a professora mostra a figura de um animal e fala para as crianças ELEFANTE. Então, junto com isso ela já inclui o gesto em LIBRAS do elefante.

Em outros momentos podem utilizados vídeos em LIBRAS para crianças.

Se os bebês estão adquirindo novas linguagens, não será forçado, e sim muito natural. Um pouco toda semana.

Começa no Berçário I, se estende ao II, depois aos Mini Grupos, e quem sabe na EMEI também... Que máximo! Já estou visualizando que maravilhoso....

ENFRENTANDO OS DESAFIOS


Mas ai vem outra duvida.

- "Luciana, nem eu e nem uma professora aqui no CEI sabe LIBRAS, como faremos isso?"

Claro que vocês não vão começar sendo detentoras no assunto.

Como falei, podem começar por palavras simples, através de figuras.
Tem vários vídeos na internet que ensinam. Não precisa sair de casa e gastar dinheiro fazendo um curso. (O que é claro, também seria muito válido.)

No portal do surdo já tem as primeiras dicas. (veja aqui)

O You tube está cheio de vídeos inspiradores.

Aqui vão alguns para te dar aquele gás....




Recomendo que primeiro você amiga coordenadora, assista a alguns e se inspire. Prepare a primeira parada pedagógica do ano especialmente voltada para esse assunto com muitas brincadeiras e vídeos para sua equipe. Isso ajudará a motiva-las também.

Lance a ideia e coloque em prática pelo menos por um ano e faça uma avaliação no final do ano.

O estudo coletivo dá uma motivação a mais. Use momentos de estudo com o grupo para aprenderem gestos novos. Façam trocas de experiências durante o ano. Estudem matérias sobre o assunto (Portal MEC - pdf sobre surdez. Saberes e práticas da inclusão na educação infantil).

E se você for uma professora que se sentiu tocada pelas ideias, mas suas colegas ou sua coordenadora, nem diretora se sentiram motivadas?

Que tal se você conversasse com ela (coordenadora ou diretora) dizendo que gostaria de fazer um projeto experimental com suas crianças esse ano que se segue?

Lembre-se que cada uma de nós pode fazer uma pequena contribuição.

Eu estou aqui sugerindo uma ideia. É o inicio de minha contribuição.

Você que esta diretamente com os pequeninos, também já pode começar a fazer a sua parte. Quem sabe você não motiva todas as outras colegas?

Claro que tudo isso será um inicio. Muitas dificuldades surgirão no começo. Muitas adaptações precisarão ser feitas.


Mas é assim que se começa: dando o primeiro passo.

Imagina se depois essa prática fica permanentemente no curriculo do CEI. Que diferencial interessante não acha?


Não existem muitas escolinhas que tem em seu currículo o ensino do inglês? E olha que tenho colegas que dizem que precisam passar para as crianças essa pequena noção do idioma, sem mesmo terem feito curso ou terem fluência. Procuram um vídeo aqui outro ali e acaba dando certo!

Porque não LIBRAS?


Vamos fazer a nossa parte?

Lu Fernandes Pedagoga

Final de ano, e todas as escolas estão preocupadas com as atividades de encerramento.

Dentre muitas coisas, uma que demanda um longo tempo é a FORMATURA das crianças.
Quando olhamos a internet, encontramos muitos e muitos pedidos de dicas de como organizar toda uma cerimonia. E também encontramos diversos vídeos com o título FORMATURA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Eu também já fiz muitas formaturas de meus pequenos alunos e me orgulhava toda por ver todas aquelas produções de capelos e canudos (que aprendi fazer), e toda aquela cerimonia, mesmo percebendo que muitas vezes as crianças (tadinhas) ficam impacientes com todo aquele ritual.

Só depois de muito tempo, comecei a me perguntar: POR QUÊ?
Ainda hoje tenho muitos questionamentos dentro da Educação Infantil e que aos poucos com muitos estudos e pesquisas vou conseguindo achar respostas. 


Momento de reflexão


Um belo dia, me deparei com uma matéria da revista AVISA LÁ que fez o seguinte questionamento:

FORMATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL?

Bem, quem me conhece sabe que amo essa revista, e o Instituto Avisa lá. Fiz muitos cursos e acredito no olhar para o mundo infantil que eles trazem: Para mim é enxergar as crianças com olhar de criança,  e não como mini adultos para o qual devem ser passadas todas as tradições escolares que aprendemos desde NOSSA época de infância.

Mas voltando ao questionamento......

Quando li essa matéria me senti num momento EURECA porque me fez refletir sobre os rituais adultos que queremos que as crianças repitam.
E por que queremos que eles repitam? 
Por que virou tradição assim como muitas coisas que ainda fazemos na Educação Infantil. 

Algumas atividades são passadas para as crianças de geração em geração, acreditando que se elas são utilizadas até hoje, é porque TEM QUE SER ASSIM.

Mas será que tem que ser assim mesmo? Para quem esses rituais serão significativos? Para os pais que querem ver seus filhos com beca de formatura de adulto? Para as professoras que apesar de muito amor e carinho aos seus pequenos, passam semanas enlouquecidas com ensaios, e finalmente conseguem concretizar sua obrigação naquele momento da formatura?

Vamos pensar: 
Para quem são significativos? 
E para quem DEVEM ser?

Quem é nosso público? Não são as crianças? Então, não teria que ser significativo para elas?

Nesse momento, muitas professoras já estarão dizendo:

Mas Luciana, é significativo sim para as crianças. Elas ficam tão felizes de vestir aquela beca, de cantar para os pais que estão lá todos cheios de orgulho, e de participar de uma festa tão bonita, cheia de comes e bebes e musicas.... Tiram fotos com os pais e ficam com aquela recordação fotográfica por muitos e muitos anos.

Eu sei minhas amigas.  As crianças gostam de se divertir e também ficam empolgadas em se apresentar para os pais, avós, e outros parentes e amigos. 

O ponto que quero chegar aqui é: Por que tem que ser com todo ritual de formatura de adultos?
Onde está escrito ou quem inventou que a despedida das crianças da educação infantil deve ser uma cópia da tradicional formatura dos adultos?
Porque nós aceitamos isso até hoje e não nos questionamos sobre essas tradições que levamos para a educação infantil?




A formatura é um momento especial e importante sim, mas também é muito maçante (pelo menos eu me lembro da minha dessa forma). Fico imaginando para as criancinhas que chegam a ficar ali sentadas por horas....

Das vezes que fiz formaturas com meus pequenos (e não foram poucas) começa tudo muito bem, mas daqui a pouco começa um bla bla bla enorme dos pais impacientes pra acabar....
As crianças começam a se retorcer nas cadeiras, querem ir ao banheiro, beber água, conversar com os coleguinhas... daqui a pouco já tem criança chorando. As professoras designadas para ficar com as crianças e organizar para que elas subam ao palco no momento certo começam a ter que se virar em mil para acalmar os pequeninos e não permitir que aquilo se torne um "Fuzuê" de crianças chorando e loucas para ficar com os pais..... fala a verdade amiga, não é assim?

Me pergunto: Será que essa formatura não poderia ser mais leve?

Mas antes vamos pesquisar. Você sabe o que significa formatura?
Já pesquisou na internet sobre esse assunto?

Sabemos que a formatura significa um ritual de passagem,certo?

Mas vamos ver mais alguns detalhes.

Significados das tradições de FORMATURA 


Segundo o Blog Phormar, a Colação de Grau é sempre um momento muito emocionante, esperado pelo formando e pela família. É quando o aluno recebe o certificado ou diploma de conclusão de curso. A caminhada até a colação não é fácil, o que faz a ocasião ser ainda mais especial, com aquela sensação de dever cumprido.
Como a colação é homologada pela faculdade, existe uma cerimônia a ser cumprido. E nela, a vestimenta a ser usada pelos formandos é beca, um manto que cobre todo o corpo. Além disso, usa-se uma faixa abdominal, que representa a cor do curso do formando (para cursos de humanas e exatas, a faixa é azul; saúde é verde; direito é vermelho). Também é usado o capelo e o canudo.

Mas qual a origem desta vestimenta?
A beca surgiu dos modelos adotados na magistratura francesa. Nela, todos os magistrados têm, por tradição, os seus modelos de beca, tanto para Solenidades ou Júri como para Sessões ou Audiências. No ambiente acadêmico, ela foi adotada pelas universidades europeias a partir do século XIII. Conhecida também como Traje Talar, vestes que vão até o calcanhar, a beca é usada por professores, reitores, diplomados e advogados.

A matéria do Mundo Estranho diz: Por que usamos capelo em cerimônias de formatura? Para simbolizar o rito de passagem da formatura, quando os alunos tornam-se oficialmente profissionais (o sublinhado é meu). O capelo é um dos símbolos dessa mudança, por isso é utilizado em cores diferentes por quem vai receber o grau e por quem vai validar o título à turma, papel normalmente exercido pelo reitor.
Tradicionalmente, os alunos vestem capelos pretos, enquanto o bacharel utiliza um branco. Depois da colação, os alunos jogam o chapéu preto ao alto, como um sinal de que estão deixando para trás o status de estudantes. O chapéu é uma representação usada há séculos como símbolo de competência, em uma analogia à coroa real. Desse modo, também está presente em outras cerimônias de reconhecimento de poder.
No ritual de nomeação de novos cardeais, por exemplo, eles recebem, ajoelhados, o capelo de cor púrpura do papa. O acessório foi adaptado até mesmo para as formaturas de 1º e 2º graus. Embora nesse caso os alunos ainda continuem estudantes, eles mudam de fase!

A Revista Avisa lá nº 39 destaca: Becas, diplomas, o que simbolizam? Ora, as becas são usadas pelos funcionários judiciais, catedráticos e, quando muito, por formandos de grau superior. Atualmente apenas alguns cursos tradicionais fazem uso da beca. O diploma atesta uma habilitação, confere um grau. Os diplomas estão associados à outorga de cargos e privilégios nas sociedades aristocráticas. São estas as marcas que queremos deixar para as crianças de 3 ou 5 anos!?

Porque então fazemos formaturas para crianças tão pequenas?

Realmente é um ritual tradicional,  voltado principalmente para os adultos. Tem um significado real para o momento do formando de Ensino médio ou faculdade apesar de achar que nunca devemos deixar de ser estudantes, como nos mostra um trecho acima.

Mas e para as crianças?

Como podemos fazer um ritual de passagem (já que sairão da educação infantil, CEIs e EMEIs) e vão para a escola?

Penso comigo algumas sugestões que podem agradar professores, pais e principalmente e mais importante de tudo, nossas pequenas crianças, que são, além de tantas outras coisas, a representação de nosso trabalho  como professores e um pouquinho do que tentamos passara elas todo tempo que estivemos com elas.

Festa de despedida


Acredito que muitas escolas querem fazer uma despedida para seus pequenos.
Mas como substituir esses itens tão tradicionais da formatura, por outros mais significativos?

Aproveite os projetos


Você fez um lindo projeto com suas crianças. Passou o ano inteiro construindo ideias e materiais com eles. Por que não aproveitar algo que já está no cotidiano deles?
Se vocês fizeram um projeto de poesias, em algum momento dele as crianças brincaram de recitá-los. Por que não substituir as frases prontas encontradas na internet por essas poesias, talvez de poetas já conhecidos, talvez criadas com ou pelas crianças?

Se o projeto envolveu expressão corporal, porque não apresenta-la? As crianças vivenciaram isso o ano inteiro.... Está no contexto do momento deles.

Se o projeto envolveu músicas, por que não apresentar uma dessas músicas? Não precisa para todo o trabalho de um ano inteiro para procurar MUSICAS DE FORMATURA  e fazer as crianças decorarem para a apresentação.  

E que tal organizar momentos importantes do período que as crianças passaram no CEI ou EMEI e apresentar um vídeo para os pais? As crianças podem assistir na companhia dos pais.

Outros itens


A lembrancinha não precisa ser aquela comprada já com várias páginas e prontas. Um livro do projeto ou dos trabalhos realizados durante o ano do filho (incluindo fotos deles nos momentos no CEI ou EMEI), vai ser muito mais significativo, afinal é a produção da criança.

E se substituirmos o diploma por um desenho de produção da própria criança? Ele pode ser emoldurado pelas professoras. A escola pode optar por colocar uma frase para as crianças e para os pais que simbolize esse período.

Faça um momento de festa onde os pais brincam e dançam com seus filhos.

Viram só.....
Idéias não faltam!

Um outro detalhe....


Já vivi situações onde os pais querem ver seus filhos numa roupa de formatura. É natural pois eles também foram acostumados de que "é normal em toda escola, inclusive educação infantil".
Mas podemos ter uma conversa com eles explicando a nova proposta. 
Podem também ser feitos combinados: Se fizerem questão, as crianças podem ir com uma cor de roupa escolhida coletivamente, porém, o modelo fica a cargo deles escolherem. Não fica feio não. Já fiz isso.
Também se fizerem muita questão, providenciem 1 beca para que, para aqueles pais que quiserem, podem vestir na criança e fazer a fotografia ali mesmo, na hora. Pode ser com a professora também. 
A escola pode providenciar uma foto bem bonita da professora com sua turminha de uma forma bem divertida, para entregar aos pais. 
É só pensar em algumas alternativas para esses detalhes que surgem no meio do caminho.

Enfim.....

Vamos deixar esse momento menos sério, menos formal....

Vamos deixá-lo mais caloroso, mais divertido, e será até mais significativo pois será diferente do que oferece a maioria das escolas.

As crianças terão a oportunidade de passar por esse ritual formal quando estiverem maiores.

Bem minhas queridas colegas professoras, como costumo dizer, não sou dona da verdade (nenhum ser humano é!). 

Essa é minha opinião baseada em minhas vivências que já passam de 15 anos.

Muito, em vista de algumas colegas que estão só começando.....
Pouco, para colegas que já estão na área muito mais tempo que isso.
Mas também gostaria de saber a opinião de vocês e o porque.....

Abraços......

Lu Fernandes Pedagoga